quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Perfil da obra e trajetória literária - José Lins do Rego


O mundo rural do Nordeste, com as fazendas, as senzalas e os engenhos, serviu de inspiração para a obra do autor, que publicou seu primeiro livro - Menino de engenho - em 1932.
Como vimos, em 1926, decidiu deixar para trás o trabalho como promotor público no interior de Minas Gerais e transferiu-se para Maceió, Alagoas. Lá conviveu com um grupo de escritores muito especial: Graciliano Ramos (o autor de Vidas Secas), Rachel de Queiroz (a jovem cearense, que já publicara o romance O Quinze), o poeta Jorge de Lima, Aurélio Buarque de Holanda (o mestre do dicionário), que se tornariam seus amigos para sempre. Convivendo neste ambiente tão criativo, escreveu os romances Doidinho (1933) e Bangue (1934). Daí em diante a obra de Zélins, como era chamado, não conheceu interrupções: publicou romances, um volume de memórias, livros de viagem, de conferências e de crônicas. E Histórias da Velha Totônia, seu único livro para o público infanto-juvenil, lançado em 1936.
Em 1935, mudou-se para o Rio de Janeiro. Homem atuante, participava ativamente da vida cultural de seu tempo. Gostava de conversar, tinha um jeito bonachão e era apaixonado por futebol, ou melhor, pelo Flamengo. Seus livros são adaptados para o cinema e traduzidos na Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.
Em 1957, José Lins morreu. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. A obra de José Lins do Rego é publicada pela editora José Olympio.

Malu

José Lins do Rego *

José Lins do Rego Cavalcanti (Pilar3 de junho de 1901 - Rio de Janeiro12 de setembro de 1957) foi um escritor brasileiro que, ao lado de Graciliano RamosÉrico Veríssimo e Jorge Amado, figura como um dos romancistas regionalistas mais prestigiosos da literatura nacional.


Após passar sua infância no interior e ver de perto os engenhos de açúcar perderem espaço para as usinas, provocando muitas transformações sociais e econômicas, foi para João Pessoa, onde fez o curso secundário e depois, para Recife, onde matriculou-se, em 1920, na faculdade de Direito.
Nesse período, além de colaborar periodicamente com o Jornal do Recife, fez amizade com Gilberto Freyre, que o influenciou e, em 1922, fundou o semanário Dom Casmurro.
Formou-se em 1923. Durante o curso, ampliou seus contatos com o meio literário pernambucano, tornando-se amigo de José Américo de Almeida, Osório Borba, Luís Delgado, Aníbal Fernandes, e outros. Gilberto Freyre, voltando em 1923 de uma longa temporada de estudos universitários nos Estados Unidos, marcou uma nova fase de influências no espírito de José Lins, através das ideias novas sobre a formação social brasileira.
Ingressou no Ministério Público como promotor em Manhuaçu, em 1925, onde entretanto não se demorou. Casando em 1924 com d. Filomena (Naná) Masa Lins do Rego, transferiu-se em 1926 para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos, até 1930, e fiscal de consumo, de 1931 a 1935. Em Maceió, tornou-se colaborador do Jornal de Alagoas e passou a fazer parte do grupo de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco, Carlos Paurílio e outros. Ali publicou o seu primeiro livro, Menino de engenho (1932), chave de uma obra que se revelou de importância fundamental na história do moderno romance brasileiro. Além das opiniões elogiosas da crítica, sobretudo de João Ribeiro, o livro mereceu o Prêmio da Fundação Graça Aranha. Em 1933, publicou Doidinho, o segundo livro do "Ciclo da Cana-de-Açúcar".

Ariane

Vinicius de Moraes



                                                                                                          
    O início do trabalho literário de Vinicius de Moraes (1913-1980) não foi diferente do dos demais representantes da segunda geração modernista brasileira. Influenciado pelo neossimbolismo, a chamada corrente espiritualista, apresenta um tom bíblico demonstrado tanto nas epígrafes dos poemas como nos versos. O tema da solidão, do abandono, da ausência do ser é recorrente nesse instante, em que ele produz textos com lirismo e sentimentalismo.
Em sua obra Cinco Elegias (1943), Vinicius rompe com a estética neossimbolista, adotando uma linguagem mais coloquial e mais sensual. Nota-se, a partir daí, uma tendência a sensualidade erótica, contrapondo-se a religiosidade antes apresentada. As contradições existenciais são marcas constantes na sua obra. Há uma preferência pelos sonetos, estilo que marca a trajetória literária do autor.

    Suas principais obras são:
 Caminho para a distância (poesia, 1933);
 Forma e exegese (poesia,1935);
 Ariana, a mulher (poema, 1936);
 Novos poemas (1938);
 Cinco elegias (1943);
 Poemas, sonetos e baladas (1946); 
Pátria minha (poema, 1949);
 Antologia poética (1981); 
Orfeu da conceição (tragédia em versos, 1960);
 Livro de sonetos (1980); Novos poemas (1959);
 Procura-se uma rosa (peça de teatro em colaboração com Pedro Bloch e Claudio Gil, 1961);
 Para viver um grande amor (crônicas e poemas); 
Cordélia e o peregrino (teatro, 1965); 
Para uma menina com uma flor (crônicas, 1968);
 O mergulhador (poemas, 1968);
 Poesia completa e prosa (1968);
 Arca de Noé (literatura infantil em versos, 1981);
 A mulher e os signos (poemas, 1980); 
Poemas de muito amor (1982).


                                                          Michelle

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

BIOGRAFIA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
A insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, noJornal do Brasil.O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de DrummondAlguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.
Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. EmSentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo(1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.
Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac (Les Paysans, 1845; Os camponeses), Choderlos de Laclos (Les Liaisons dangereuses, 1782; As relações perigosas), Marcel Proust (La Fugitive, 1925; A fugitiva), García Lorca (Doña Rosita, la soltera o el lenguaje de las flores, 1935; Dona Rosita, a solteira), François Mauriac (Thérèse Desqueyroux, 1927; Uma gota de veneno) e Molière (Les Fourberies de Scapin, 1677; Artimanhas de Scapino).
Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.





  MALU 

Carlos Drummond de Andrade.


Ainda que mal
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.


Poesia completa;
Editora nova Fronteira.

Michelle

domingo, 26 de agosto de 2012

• Cecília Meireles •



 1901: 7 de novembro, Rio de Janeiro: nasce Cecília Meireles. Seus pais: Carlos Alberto de Carvalho Meireles e Matilde Benevides. Ambos morreram cedo: o pai, três meses antes do nascimento da filha;  a mãe faleceu quando Cecília tinha 3 anos de idade. Os avós paternos: João Correia Meireles, português, funcionário da Alfândega do Rio de Janeiro, e D. Amélia Meireles, ambos falecidos. A avó materna, D.Jacinta Garcia Benevides, açoriana, cuidou da menina, como tutora.

 1910: Termina  o Curso Primário, na Escola Estácio de Sá. Recebe medalha de ouro das mãos do poeta Olavo Bilac, então Inspetor Escolar do Distrito Federal. Na adolescência: paixão pelos livros. Estuda história, línguas, filosofia, estudos orientais, que continuaram sempre. Nasce  o entusiasmo pelo Oriente. 
 • 1917: Diploma-se na Escola Normal (Instituto de Educação). Desde então exerce o Magistério. Segue os estudos no Conservatório Nacional de Música.
• 1919: O primeiro livro de versos,Espectros, recebe elogios da crítica.
 • 1922: Casa-se com o artista plástico português, Fernando Correia Dias. Desse casamento nascem três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda (esta virá a ser uma famosa atriz do teatro brasileiro). 
•  1924: Escreve Criança meu amor, adotado pelas escolas municipais.
• 1929: Edita  a conferência  O espírito vitorioso, apresentada no Concurso para vaga na cátedra de Literatura Brasileira, no Instituto de Educação. 
• 1930/1934: Atividade jornalística intensa: dirige uma página diária sobre Educação no jornal Diário de Notícias. Faz  críticas ao Governo de Getúlio Vargas em defesa  de uma nova escola.
• 1934: Passa a dirigir o Instituto Infantil, no Pavilhão Mourisco. Cria uma Biblioteca Infantil. Neste mesmo ano faz a primeira viagem ao exterior.Visita  Portugal acompanhada do marido, a convite da Secretaria de Propaganda desse país. Intensa atividade cultural em Lisboa e Coimbra. Nascem grandes amizades.
• 1935: Leciona Literatura Brasileira na recém fundada Universidade do Distrito Federal (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro). Suicídio do marido.
• 1936/1938: Dificuldades econômicas lhe exigem muito trabalho: ministra cursos de Técnica e Crítica Literária;  sobre Literatura Comparada e Literatura Oriental. Escreve regularmente  em vários jornais (A Manhã, Correio Paulistano, A Nação).Trabalha no departamento de Imprensa e Propaganda como  responsável pela revista Travel in Brazil.
 1938: Seu livro Viagem recebe o Prêmio Poesia da Academia Brasileira de Letras. Conhece o médico Heitor Grilo. Casam-se  no ano seguinte. Viagem aos Estados Unidos e México. Ministra cursos de Literatura Brasileira  na Universidade do Texas.
 • 1939: Viagem é  editado em Lisboa.
 • 1940: Nos Estados Unidos leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas. Faz conferências sobre literatura, folclore e educação no  México.
  • 1942/1944: Publica Vaga Música. No jornal A Manhã escreve importantes estudos sobre folclore infantil.
• 1944: Visita Uruguai e Argentina.
• 1945: Publica Mar Absoluto. A família muda-se para o Cosme Velho. 
• 1948:  Instalação da Comissão Nacional de Folclore. É tratada como autoridade no assunto.
• 1949: Mais um livro:Retrato Natural.
• 1951: Secretaria o Primeiro Congresso Nacional de Folclore (Rio Grande do Sul). Viagem à Europa (França, Bélgica, Holanda e Portugal). Publica  Amor em Leonoreta. 
• 1952: Recebe o Grau de Oficial da Ordem do Mérito, do Chile. Sócia honorária do Gabinete Português de Leitura, do Instituto Vasco da Gama, de Goa, na Índia. Lança: Doze noturnos de Holanda & O Aeronauta. 
• 1953:Afinal sai O Romanceiro da Inconfidência, a obra prima. A convite do primeiro ministro Nehru, participa de Simpósio sobre a obra de Gandhi, na Índia. Recebe título Doutor Honoris Causa pela Universidade de Deli. Compõe Poemas escritos na Índia. Passagem pela Itália: nascem os Poemas Italianos. Índia, Goa e  Europa...  Pequeno Oratório de Santa Clara. 
 • 1954: Novas viagens:  Europa e, agora, Açores.
 • 1956:Publica Canções.
 • 1957: Viaja  a Porto Rico. 
 • 1958: Faz conferência em Israel. Visita aos lugares santos. Publicação da Obra Completa pela editora José Aguilar. 
• 1960:  Publica Metal Rosicler.
• 1963: O último livro publicado em vida, Solombra.
• 1964: Morre em 9 de novembro. Repousa no Cemitério São João Batista (Botafogo, Rio de Janeiro)  túmulo n.8951, quadra 14. Uma lápide simples contém apenas nome e data, 1901-1964.


Livro :  Ou Isto Ou Aquilo


Ariane

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mário Quintana






Mário Quintana foi um importante escritor, jornalista e poeta gaúcho. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906. Trabalhou também como tradutor de importantes obras literárias.
 Com um tom irônico, escreveu sobre as coisas simples da vida, porém 
buscando sempre a perfeição técnica.


''A amizade é um amor que nunca morre.''





Malu